Ministério do Trabalho recebe 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral em apenas três dias
Canal de denúncias foi lançado após manifestações nas redes sociais que incentivavam a demissão de trabalhadores por suas posições políticas.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) recebeu 4.300 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho nos três primeiros dias de funcionamento de um canal criado para registrar esse tipo de ocorrência.
Os números foram divulgados neste sábado (31). A plataforma foi lançada na quarta-feira (28), após a circulação de campanhas nas redes sociais que incentivavam a demissão de trabalhadores identificados com posições políticas de esquerda, em reação ao resultado das eleições presidenciais de 2026.
De acordo com os dados do ministério, a região Sudeste concentra quase metade dos registros, com 2.087 denúncias. São Paulo lidera, com 1.325 casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 354, e Minas Gerais, com 345.
O Ministério do Trabalho informou que todas as denúncias estão sob análise da Auditoria Fiscal do Trabalho.
MPT também registra milhares de casos
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 2.400 denúncias de assédio eleitoral ao longo do ano eleitoral. Desse total, 530 foram registradas após a divulgação do resultado das eleições de 2026.
A prática pode ocorrer quando empregadores ameaçam demitir funcionários, pressionam trabalhadores a declarar apoio a candidatos ou tentam interferir na liberdade de escolha política dos empregados.
O assédio eleitoral é crime e pode resultar em responsabilização dos envolvidos, com aplicação de penas previstas na legislação.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima
O canal disponibilizado pelo Ministério do Trabalho permite que trabalhadores registrem ocorrências pela internet, inclusive com opção de anonimato.
O caso reacende o debate sobre liberdade política no ambiente profissional. A escolha eleitoral é individual, livre e secreta, e não pode ser utilizada como critério para ameaçar, constranger ou prejudicar trabalhadores.
