“Ainda bem que foi depois das eleições”, diz Fábio sobre condenação de Valmir no STJ

“Ainda bem que foi depois das eleições”, diz Fábio sobre condenação de Valmir no STJ

Para o governador, julgamento após o pleito evitou repetir 2022

Fábio Mitidieri disse considerar positivo que a decisão do STJ sobre Valmir de Francisquinho tenha saído depois do período eleitoral.

Em entrevista à Rádio Rio FM nesta terça-feira, 13, o governador Fábio Mitidieri comentou a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que manteve a condenação por improbidade administrativa de Valmir de Francisquinho em um dos processos ligados ao Matadouro de Itabaiana.

O que o STJ julgou

O que a Primeira Turma do STJ julgou não foi um novo exame da condenação. O colegiado analisou um recurso da defesa que pedia a homologação de um acordo de não persecução civil e acompanhou o relator, ministro Sérgio Kukina, mantendo a recusa ao acordo. Com isso, permaneceu de pé a condenação aplicada pelo Tribunal de Justiça de Sergipe. O recurso é o AREsp 3.220.567.

Segundo o entendimento adotado, a proposta de acordo contrariava o artigo 17-B da Lei de Improbidade Administrativa, porque previa multa destinada ao fundo do Ministério Público sem garantir o ressarcimento integral do dano ao município.

“Eu quero dizer o seguinte: não fico feliz. Como político, acho que a gente não pode ficar feliz com nenhuma condenação de homem público, porque isso vai contra a própria política. Isso depõe contra o que a gente acredita, o que a gente prega”, afirmou.

A ação do Ministério Público de Sergipe foi movida contra seis réus, entre eles o então prefeito de Itabaiana, e trata da contratação de uma empresa para recolher e destinar os restos dos animais abatidos no matadouro municipal. O prejuízo aos cofres públicos foi estimado em R$ 4,4 milhões.

A condenação prevê a suspensão dos direitos políticos por quatro anos, o ressarcimento solidário do prejuízo, multa civil equivalente ao dano e proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período. O valor definitivo do ressarcimento será calculado na fase de liquidação do processo.

O governador também avaliou como positivo o fato de o julgamento ter ocorrido depois do período eleitoral. “Ele já havia sido condenado aqui em Sergipe, a condenação foi mantida lá, né? E ainda bem que foi depois das eleições, porque a gente teve a oportunidade de fazer o verdadeiro confronto e não ficar novamente naquela história que foi em 2022”, completou.

O caso teve idas e vindas antes disso. Em 30 de janeiro deste ano, uma liminar do ministro Luis Felipe Salomão, também no STJ, deu efeito suspensivo a condenações e devolveu a elegibilidade de Valmir de Francisquinho — decisão que permitiu a ele disputar o Governo de Sergipe. Ao conceder a liminar, o ministro citou a proximidade do período eleitoral e a divergência entre as instâncias: a primeira não havia identificado irregularidade, e a segunda determinou a inelegibilidade.

Cabe recurso da decisão. A reportagem mantém o espaço aberto para manifestação da defesa de Valmir de Francisquinho.

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